Compartilhar conhecimento é compartilhar poder

Numa sociedade baseada na relação de poder absolutamente excludente em que o conhecimento é mais uma mercadoria, a frase de Paul Singer vem bem a propósito e enuncia a síntese entre economia solidária e conhecimento livre. Ambos buscam fundamentalmente a felicidade só plenamente exitosa se a relação for entre iguais. Se houver, necessariamente, liberdade. Com tantos propósitos, princípios e objetivos em comum, nada mais patente que essa fusão.

O diálogo amadurecido entre Senaes e Casa Brasil, entre economia solidária e conhecimento livre, os espaços proporcionados pelos cursos de Ecosol em todo país – pedra fundamental – são expressões vivas da construção do conceito do conhecimento solidário.

A Economia Solidária e a aproximação com o conhecimento livre

O conhecimento e a liberdade são condições ontológicas do ser humano. O que de fato ocorreu nas sociedades ao longo da história foi uma exacerbação da lógica individualista, de apropriação e privatização, desenvolvidas no processo de acumulação capitalista.

Nesse sentido, a apropriação do conhecimento por parte do capital e sua monetarização das relações sociais e de produção, criou uma sociedade apartada, desconectada. Relações sociais que estimulam o conhecimento privado, patenteado, exclusivo, seja nas grandes corporações, nas relações macro e estatais de poder, seja nas esferas micro, locais, nas relações subjetivas cotidianas. Conhecimento nesta sociedade se torna um produto.

A apropriação do conhecimento perpassa todas as áreas da sociedade e por essa razão, deve ser re-significada, re-construída. O software livre enseja a construção colaborativa e incita a solidariedade nessa construção. É a partir do questionamento dos códigos fechados e softwares proprietários que fundamenta-se a defesa de programas de códigos abertos, livres, de acesso a todos e todas, de uma cultura livre, da produção de saberes que não pode ser privilégio de uns poucos sob a desculpa da livre concorrência. Apostar no software livre é assumir um posicionamento a favor da liberdade, é uma ação contra-hegemônica. É construir as pilastras para a sociedade do conhecimento solidário.

O conhecimento, portanto, é um patrimônio humanitário, devendo servir ao bem comum, da mesma forma como o desenvolvimento econômico-social deve servir a todos e todas, sendo uma possibilidade de felicidade humana, de construção de uma sociedade sem excluídos, sem alijados.

Conhecimento livre e economia solidária marcam então seu ponto de congruência, seu encontro. Relacionam-se e apontam mudanças processuais nos padrões e modelos estabelecidos pela ordem do capital.

Os sonhos são possíveis quando a força motriz é o desejo de fazer acontecer o que, no horizonte, aparece como impossível: uma sociedade justa, igualitária, solidária e livre.

Andréa Saraiva, Kelma Nunes, Meiry Coelho

Pra contribuir com o texto: http://www.casabrasil.art.br/wiki/index.php?title=Compartilhar_conhecimento_%C3%A9_compartilhar_poder

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Sobre andreasaraiva

Sou cearense e vivo no mundo. Curiosa, língua afiada e doida por cerveja com caranguejo...

Publicado em setembro 13, 2007, em 1, Geral. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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