Gestores, artistas e os desafios do novo modelo – Opinião – Jornal O Povo

“O plano parece tatear esse intangível foco de investimento”

Publicado no Jornal O Povo dia 03.12.2011|

A recém criada Secretaria de Economia Criativa do MinC vem em momento oportuno quando, finalmente, o aspecto econômico da cultura ganha o relevo correspondente ao seu grau de importância. Tem a tarefa providencial de reconhecer e dar visibilidade a um setor de potencial econômico indiscutível e de lançar bases para colocar no âmbito de políticas públicas, modelos de desenvolvimento econômico para esse segmento com planejamento necessário. E planejamento não tem sido o forte das políticas culturais em nenhuma esfera do poder público.

Louvável o gesto da secretaria Cláudia Leitão, que inova ao dispor do plano de implementação à apreciação e diálogos públicos desde antes da consolidação a própria secretaria. É uma sinalização de compartilhamento do modo de pensar a economia para a cultura e um tanto abrir perspectiva para uma gestão se não compartilhada, pelo menos, dialogada.

O plano se esmera em definir o conceito de economia criativa e faz a opção pela terminologia setores criativos: “todos aqueles cujas atividades produtivas tem como processo principal um ato criativo gerador de valor simbólico, elemento central da formação do preço, e que resulta em produção de riqueza cultural econômica”.

Essa pauta assume relevância pelo fato de que até então a junção entre cultura, economia e tecnologia – essência da economia criativa – só vem favorecendo as grandes indústrias culturais. Estas obtiveram financiamentos vultosos. As demais linguagens tiveram que se contentar com outras formas de fomento por parte das políticas públicas.

A economia criativa foi rapidamente absorvida como política pública na Austrália e em países como Inglaterra. É saudada em muitos lugares como a nova economia ou como a grande vedete do novo capitalismo. O tema é novo por aqui, mas os setores da economia criativa já são presentes na economia mundial há muito tempo, enquanto o Brasil aparece nos dados expostos no plano mais como mercado consumidor do que como produtor.

É preciso assinalar o risco de montar todo um pensamento com bases em um público alvo impalpáveis. Nos países onde a economia criativa se instalou, existiam e existem núcleos, parques criativos já instalados e já geradores de lucro. O poder público nos referidos países apenas reconheceu lançou seus planos com bases reais.

Aqui, no entanto, nasce primeiro da teorização. O plano parece tatear esse intangível foco de investimento. Daí a secretaria ter que incorporar dentre suas ações, a necessidade pedagógica, quase didática de popularizar o entendimento. Há, por fim, o maior risco, o de que seja mais um modismo, uma abstração se não houver o contraponto fundamental com dados materiais ou se ficar a apenas nas capacitações e sujeitas à negociações com financiadores.

Andréa Saraiva

Historiadora, escritora e assessora a Rede Tucum de Turismo Comunitário na Zona Costeira do Ceará

Fonte:

Gestores, artistas e os desafios do novo modelo | Opinião I Jornal de Hoje | O POVO Online.

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Sobre andreasaraiva

Sou cearense e vivo no mundo. Curiosa, língua afiada e doida por cerveja com caranguejo...

Publicado em fevereiro 4, 2012, em Geral e marcado como . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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