Do Poço se vê um Dragão

Nenhuma solução ou desenho institucional será exitosa sem levar em conta os moradores nativos. Aqueles que estavam antes do Dragão chegar de supetão e sair engolindo tudo. Os que sempre foram desconsiderados no processo de construção. Os que sequer foram incorporados para usufruírem das tais políticas culturais. Nunca os publico-alvo.

Os que só nos damos conta de que existem pelos jornais mas na página policial.

Aqueles do entorno, os invisíveis. Os estorvos, os que tem a petulância de permanecer morando em frente à praia mesmo sendo pobres.

O que não se enfrenta, volta. E volta camuflado. Vê-se que a invisibilidade aparece em forma de violência e viram estatísticas criminais e estigma.

Qualquer desenho cultural que se aponte como solução terá efetividade sem que a comunidade esteja incluída. Apropriação comunitária é básica pra qualquer equipamento cultural. É condição mas desde sua gênese permanece ignorada.

Enquanto a Praia de Iracema é dragada se mirabolam os Acquarios e outras novidades nascidas da vontade dos governantes de plantão sem qualquer sintonia com os desejos e premências da sociedade. Que servem ainda mais pra acirrar a exclusão ao invés de solucionar.

 

poço

Foto: Comunidade Poço da Draga também conhecida como Baixa o Pau que fica a poucos metros do Dragão do Mar. Arquivo Quem Dera Ser um Peixe

 

Políticas culturais não são dissociadas do “Social” nem do território. Não deu certo em política pública alguma. Não é efetivo além de ser ética e republicanamente desaprováveis. Além de denotar autoritarismo e desrespeito na concepção e implementação do projeto.

Para o gestor perpétuo do Dragão do Mar, principal equipamento público de cultura do estado, a cultura não tem nada a ver com social.

Se nem enxerga, como reparar? Está tudo dito.

A inseguranca e decadência do Dragão são  fruto da invisibilidade de atores sociais e sua exclusão, da inépcia dos agentes públicos que não conseguem enfrentar a questão de forma horizontal e sistêmica. Se encastelam em seus gabinetes e sequer enxergam as inúmeras possibilidades que uma ação PLANEJADA – alinhando Cultura e desenvolvimento local sustentável – teria pra reverter o quadro.

Na mesma pegada teria que se democratizar a gestão do Dragão. Que esta passasse a ser gestado por um conselho gestor. A autocracia teria que ser superada. Quem tiver seus clubes que o banquem.

Que as contratações obedeçam a critérios transparentes e democráticos. Que as decisões sejam finalmente compartilhadas.

Ainda há tempo de uma concertação coletiva que desta vez, inclua. Quem sabe um Maloca Sarajane pra abrir a roda. Chamem o Baixo Pau pro Fórum, negada.

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Foto: Arquivo Quem Dera Ser um Peixe

 

 

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Sobre andreasaraiva

Sou cearense e vivo no mundo. Curiosa, língua afiada e doida por cerveja com caranguejo...

Publicado em agosto 20, 2017, em Geral. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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