Há vida além de editais? (entrevista)

A (há) vida além dos Editais: estudo e conversa com Andréa Saraiva

Submitted by mairabegalli on sab, 09/10/2010 – 19:40
Andréa Saraiva, consultora em Economia da Cultura MinC/Pnud, acaba de publicar um estudo fomentado pela ação Economia Viva. A pesquisa possui como objetivo mapear, propor e implementar soluções simples para complementar a política de editais públicos, e deste modo instrumentalizar a sustentabilidade financeira de coletivos e instituições ligadas a ações culturais no país.

O documento pode ser baixado aqui: “Economia Viva e Solidária: Estudo Propositivo de Alternativas de sustentabilidade financeira dos Pontos e Pontões de Cultura”

Aproveitando o gancho da publicação, fiz algumas perguntas para Andréa, que se colocou a disposição para continuar o dialógo no coletivo 🙂

Na thread enviada (na lista da MetaReciclagem para divulgar o estudo) você colocou o assunto: “Existe vida cultural além de editais?”. Essa pergunta reflete uma dificuldade quase que generalizada de dar continuidade às iniciativas livres, nascidas em comunidades e em locais sem apadrinhamento ou indicações diretas?

Andréa: Sim, o formato de editais, sem dúvida é o que mais se aproxima de uma prática democrática, republicana que está consolidada. No entanto, são observadas várias distorções. Desde a concentração de conhecimento por um tipo de saber que é a metodologia, até a injustiça entre quem está começando agora e os que já estão consolidados. Sem dúvida, a disputa é desigual. O que falo no texto é que não existe autonomia – um dos princípios do Programa Cultura Viva – se há dependência financeira dos empreendimentos com relação aos editais. São 97% dos pontos que afirmam que os editais são a maneira preponderante de captação de recursos.

O que levou ao desenvolvimento desta pesquisa?

Andréa: Prestei consultoria ao Minc/Pnud, cujo objetivo era implementação da Ação Economia Viva. Como começamos a Ação “do zero” optamos por uma gestão compartilhada. Criamos um GT (Grupo de Trabalho) que contribuiu muito para perceber os nós e transcendê-los. Além disso, sou eu mesma uma trabalhadora da cultura. Publiquei livros, sou do terceiro setor e sei bem da realidade enfrentada por organizações não governamentais. Foi necessário fundamentar a ação, perscrutar dados para apoiar nossas propostas com fatos concretos. Talvez esteja embutido no desenvolvimento da pesquisa o meu lado bem pragmático, que já está cansado de discussões intermináveis sem que haja avanço ou propostas. É uma maneira de dizer aos Pontos que não precisam ficar de pires nas mãos. Outra questão é que estamos organizando um encontro nacional de economia viva e esse texto pode ser a base para sairmos do encontro com propostas mais sedimentadas. De fato o estudo é um pontapé inicial. O que virá depende da rede.

Você acha palpável o arranjo entre coletivos e iniciativa privada, em busca da manutenção de iniciativas? Seria possível pensar em formatos onde projetos importantes não sejam engolidos pelo discurso das marcas?

Andréa: Não vejo problemas que se tenha a opção pela sustentabilidade financeira por via de empresas, do setor privado. Uma vez definidas as atribuições, não há motivos para não efetivar uma parceria. No entanto, meu estudo e a ação economia viva optam por formas solidárias e anti-capitalistas. É nessa seara que nossa proposta se pauta. E o governo tem a obrigação de investir nisso. Afinal, os maiores fazedores de cultura desse país estão no terceiro setor. Os pontos muitas vezes são os únicos equipamentos culturais em certas localidades. Estes assumem função semi-pública. É justo então que haja um repasse continuado sem a sazonalidade de editais.

Muita gente apoia o que chamamos de “Economia Solidária” e até acabam promovendo eventos e ações sob o tema de cultura livre, digital, que seja(…). Mas há quem realmente pratique uma organização horizontal, tanto na gestão como na distribuição de recursos?

Andréa: Sim, há, e muitos. Ainda que saibamos que existem organizações que deturpam, que são verdadeiras empresas com metodologias que mais afirmam o capitalismo. Há os que não fazem bom uso da verba pública. No entanto, o número de organizações sérias ultrapassa em muito os que desvirtuam. Nossa ideia é que sejam disseminados conselhos gestores, que sejam criados mecanismos de avaliação, que seja instituída a formação continuada, porque muitas vezes o que ocorre é falta de formação. Se basearmos a gestão dos pontos em práticas horizontais, certamente uma grande revolução se terá nesse país.

 

Materia feita por Maira Begalli, originalmente no site da metaReciclagem no mutirao de gambiarra: http://mutgamb.org/blog/ha-vida-alem-dos-Editais-estudo-e-conversa-com-Andrea-Saraiva

Publiquei no blog por entender que a discussão ainda é atual.

 

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United States of Acquario

Falta de política Pública para o Turismo no Ceará e falta de planejamento de longo prazo deixam o Estado vulnerável a projetos estapafúrdios e a gestores ineptos e comprometidos com um modelo de desenvolvimento que não distribui renda, pelo contrário, só aumenta a disparidade econômica no Ceará.

O turismo é uma atividade econômica como outra qualquer, portanto ela não é neutra. Aqui no Ceará várias comunidades sofrem pelo turismo predatório grande aliado da especulação imobiliária, das empreiteiras e do turismo sexual que vem sendo aplicado em sucessivos governos que  investem em  modelos que só favorecem à industria do turismo. A concepção Tasso-Cidista de desenvolvimento no Ceará baseado na industrialização se mostrou fracassada e só melhorou a vida de grandes empresários, o número de miseráveis só aumentou. Há outros modelos de turismo exitosos no mundo e até aqui no Ceará que é referência internacional em turismo comunitário. Mas não há investimento porque estes não financiam campanha, esse tipo de turismo não é ‘montada no cimento’.

Abaixo as três partes da discussão ocorrida no programa Grande Debate da Tv O povo  no dia 05 de março.

Por fim, o contraponto ao que foi discutido no debate e a óbvia conclusão de que a obra é um completo desvario de um gestor de mente colonizada que ao se propor moderno revela todo o seu provincianismo.

Das conclusões:

1. Depois do Renato Roseno questionar a falta de transparência o governo disponibilizou o EIA/RIMA, dia 08 de março.

2. Nem o  Secretário Bismarck Maia tem segurança ou completo conhecimento da obra, precisa trazer o arquiteto responsável, o Sr.  Leonardo Fontenelle –  principal interessado –  a tira-colo como escudeiro, suporte psicólogico e porta-voz.

3. O alardeado aval científico é um grande engodo. A representante do Labomar afirma que não há convênio firmado com a universidade, veja no video parte 2.

4. A prefeitura Municipal de Fortaleza corrobora com o projeto.

5. Inúmeras lacunas do projeto deixam a sociedade insegura e a sensação de que estamos assinando um cheque em branco no valor de R$ 250 milhoes de reais;

6. No video o Secretário afirma peremptoriamente que a Comunidade do Poço da Draga não será atingida. No entanto em matéria de jornal recente assume que a área do entorno será desapropriada em dois anos para construir o estacionamento que não foi previsto na fantasiosa obra. O  fato é que o Acquario não cabe naquele local ou como bem falou o arquiteto Jose Sales ‘é um peru num pires’.

Fonte Diario do Nordeste

7. O banco que vai emprestar o dinheiro é americano como americana é a empresa que foi escolhida (sem licitação) para fazer a obra. Ou seja estamos contribuindo para o PIB americano. Veja o que diz o Secretário de Turismo Bismarck Maia sobre o banco:

Fonte Diario do Nordeste

A INEXIGIBILIDADE, modalidade escolhida para eliminar a licitação do Acquario se deve, portanto, a uma exigência do próprio banco e não como mente o governo ao afirmar que é por ‘notória especialidade’. O governo está fazendo um negócio muito bom: pros americanos.

Videos do debate

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Ainda querem que a gente acredite?

Somos contra o Acquario por entender que não houve estudo de demanda, nem houve demanda do setor turistico e nem tampouco da comunidade, dos artistas, dos moradores da Praia e da cidade como um todo. É uma obra megalomaníaca nascida da mente colonializada de um governador que não entende o que é prioridade e que apenas quer tornar essa obra uma peça eleitoreira.
Questionamos firmemente a falta de transparência e a escassez de dados técnicos que justifiquem uma obra de R$ 250 milhoes de reais e que provocará endividamento público. Questionamos a dispensa de licitação e solicitamos ao Ministério pública a imediata investigação de negócio escuso.

O movimento ‘Quem dera ser um peixe’ está se mobilizando em várias redes:

Twitter: @peixuxaacquario

Página do Facebook: https://www.facebook.com/contraoaquario

Perfil no Facebook: https://www.facebook.com/profile.php?id=100003557503411

S.O.S Praia de Iracema

Depois de anos entregue ao descaso, os gestores de nossa cidade resolveram fazer intervenções na Praia de Iracema que estão contrariando os moradores, os frequentadores e todos que usufruem de sua paisagem: surfistas, skatistas e amantes da P.I – como é carinhosamente chamada – estão se reunindo para tentar barrar o aterramento.

Aqui, de braços dados, todos se juntam em defesa da Praia de Iracema:

E aqui, o registro do local onde o governo do estado pretende implementar o mostrengo Acquario que não dialoga nem com as raizes, nem com a paisagem, nem com a natureza e nem muito menos com o anseios dos frequentadores e moradores da Praia.


Estamos nos organizando, juntando nossas causas em defesa da Praia de Iracema e de uma qualificação que valorize as nossas raízes.

Parecer técnico do Acquario

Digo melhor, parecer pseudo técnico. O relatório feito pela Secretaria de Meio Ambiente eivado de subjetividades e ufanismo declarado, nos deixa desconfiados quanto a isenção da análise do EIA/RIMA. Não raro nos deparamos no decorrer do texto com adjetivos elogiosos à obra de Cid Gomes. Me pergunto sobre a idoneidade desse relatório.

Essa é a impressão de leiga, pois penso que o Conselho Estadual do Meio Ambiente (Coema), órgão encarregado de analisar o parecer técnico da SEMACE – Secretaria de Meio Ambiente do Ceará e emitir a licença prévia para a construção de uma obra que impactará sobremaneira a vida humana e a biodiversidade, deveria ter o minimo de imparcialidade e senso objetivo.

Enviamos esse relatório ao Professor Jeovah Meireles, que emitirá suas conclusões sobre o referido  relatório.

O eslaide abaixo é o parecer pseudotécnico. O eslaide em seguida é o resumo executivo do EIA/RIMA, na íntegra. Ambos poderão ser baixados.

EIA/RIMA – Estudo dos Impactos Ambientais é um instrumento que é usado como base para emitir o parecer técnico que autoriza a emissão de licença para construção.

Se vocẽ questiona as obra faraônica e autoritária Acquario do Ceará, entre na nossa página e indique aos amigos: Quem dera ser um peixe

Se sentir vontade, comente.

Censo do IBGE – Fortaleza – domicilios com pessoas do mesmo sexo

É óbvio que nao tem só isso. Mas constar como estatística é bom começo. Ressalte que mulheres assumem bem mais.

Na legenda:
Esquerda, domicilios com mulheres do mesmo sexo e à direita domicilios com casais masculinos.
Em branco, municípios com nenhuma familia homossexual.

 

Luzianne anuncia inicio das obras da #Copa2014

Nesse áudio de 1 minuto, a prefeita de Fortaleza fala o que fará com os R$ 261 milhoes que serão investidos em obras de mobilidade urbana para a copa de 2014.

A #Copa2014 começou e o pontapé inicial é na bunda de moradores

Gestores, artistas e os desafios do novo modelo – Opinião – Jornal O Povo

“O plano parece tatear esse intangível foco de investimento”

Publicado no Jornal O Povo dia 03.12.2011|

A recém criada Secretaria de Economia Criativa do MinC vem em momento oportuno quando, finalmente, o aspecto econômico da cultura ganha o relevo correspondente ao seu grau de importância. Tem a tarefa providencial de reconhecer e dar visibilidade a um setor de potencial econômico indiscutível e de lançar bases para colocar no âmbito de políticas públicas, modelos de desenvolvimento econômico para esse segmento com planejamento necessário. E planejamento não tem sido o forte das políticas culturais em nenhuma esfera do poder público.

Louvável o gesto da secretaria Cláudia Leitão, que inova ao dispor do plano de implementação à apreciação e diálogos públicos desde antes da consolidação a própria secretaria. É uma sinalização de compartilhamento do modo de pensar a economia para a cultura e um tanto abrir perspectiva para uma gestão se não compartilhada, pelo menos, dialogada.

O plano se esmera em definir o conceito de economia criativa e faz a opção pela terminologia setores criativos: “todos aqueles cujas atividades produtivas tem como processo principal um ato criativo gerador de valor simbólico, elemento central da formação do preço, e que resulta em produção de riqueza cultural econômica”.

Essa pauta assume relevância pelo fato de que até então a junção entre cultura, economia e tecnologia – essência da economia criativa – só vem favorecendo as grandes indústrias culturais. Estas obtiveram financiamentos vultosos. As demais linguagens tiveram que se contentar com outras formas de fomento por parte das políticas públicas.

A economia criativa foi rapidamente absorvida como política pública na Austrália e em países como Inglaterra. É saudada em muitos lugares como a nova economia ou como a grande vedete do novo capitalismo. O tema é novo por aqui, mas os setores da economia criativa já são presentes na economia mundial há muito tempo, enquanto o Brasil aparece nos dados expostos no plano mais como mercado consumidor do que como produtor.

É preciso assinalar o risco de montar todo um pensamento com bases em um público alvo impalpáveis. Nos países onde a economia criativa se instalou, existiam e existem núcleos, parques criativos já instalados e já geradores de lucro. O poder público nos referidos países apenas reconheceu lançou seus planos com bases reais.

Aqui, no entanto, nasce primeiro da teorização. O plano parece tatear esse intangível foco de investimento. Daí a secretaria ter que incorporar dentre suas ações, a necessidade pedagógica, quase didática de popularizar o entendimento. Há, por fim, o maior risco, o de que seja mais um modismo, uma abstração se não houver o contraponto fundamental com dados materiais ou se ficar a apenas nas capacitações e sujeitas à negociações com financiadores.

Andréa Saraiva

Historiadora, escritora e assessora a Rede Tucum de Turismo Comunitário na Zona Costeira do Ceará

Fonte:

Gestores, artistas e os desafios do novo modelo | Opinião I Jornal de Hoje | O POVO Online.

Com o aval do Estado, estrangeiros expulsam comunidades tradicionais para se apossar de suas terras.

  1. Aquiraz Riviera e  o Cumbuco Golf — Grandes empreendimentos turísticos com financiamento de empresas estrangeiras e fundos de investimento internacionais estão comprando paraísos ecológicos até então intocados no litoral do Ceará. 
  2. Aquiraz Riviera – agressão ambiental denunciada por procuradores e a prostituição relatado pela comunidade.
  3. A maravilha do mundo dos ricos, segundo a propaganda da empresa que tenta transformar o Ceará no quintal da elite esatrangeira, mas proibe circulação de moradores.
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    Aquiraz Riviera – Incomparável em todos os sentidos
  5. Video de um morador de Aquiraz indignado  mostrando que o empreendimento, além de vários outros abusos vai privatizar a paisagem.
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  7. Fortim, Ce: às custa da expulsão de pescadores, o megaempreendimento Playa Mansa Living & Life Resort  ‘teria quatro hotéis temáticos (farol, golfe, surfe e marina), 120 unidades habitacionais, 120 chalés e bangalôs e campos de golfe com 18 buracos e 6,5 mil metros de extensão. A marina teria espaço para 172 embarcações atracadas e 60 vagas secas’.
  8. O empreendimento espanhol Playa Mansa Living & Life Resort, previa quatro hotéis de alto padrão de frente para o mar, chalés, bangalôs, campo de golfe e marina, com a geração de 500 empregos diretos e mil indiretos. O grupo Confide comprou, destruiu casas de pescadores e chegou a desmatar e nivelar o terreno, mas, em 2009, sete anos após o início da iniciativa, desistiu do negócio e abandonou as obras sem dar explicações, deixando para trás um rastro de destruição e de decepções.
  9. O que pensam as comunidades atingidas pela ganância do turismo predatório e soluções viáveis não só para a defesa do território, mas para afirmação de modos de vida. No video, o relato do turismo comunitário como alternativa à especulação.  O embrião da Rede Tucum – Rede Cearense de Turismo Comunitário. De como é possível aliar qualidade de vida com desenvolvimento econômico e respeito ao meio ambiente e à cultura.  


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    (3/4) Terramar – Pela Afirmação da Vida dos Povos do Mar

#Fred404 deu error

  1. Faixa do novo álbum ““Novas Lendas da Etnia Toshi Babaa” ironizando e deturpando a cultura digital e as licenças livres como o copyleft. 
  2. Entrevista recente de lançamento do álbum, deixa nítido que ficou perdido em 1984. Está sendo conhecido como a Dilma de Chico Sciense.
  3. Para Fred ZeroQuatro,  ‘ pior cenário é o fim da indústria, por mais perversa que ela seja…’
  4. “Uma antena parabólica enfiada na lama”. A antena foi enfiada de cabeça para baixo, no cérebro do caranguejo  Fred ZeroQuatro.
  5. Manifesto Mangue Beat, deu error.