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E pode me chamar de radical

E pra começar:

Não sou contra só o Acquario, sou contra toda essa política de turismo no Ceará.

E sou frontalmente contrária à construção de megaequipamentos na minha praia. Qualquer um deles em qualquer uma delas.

Indo à raiz da questão chegaremos à obvia conclusão de que falta política pública para o Turismo no Ceará, falta planejamento de longo prazo. Isso deixa o Estado vulnerável a projetos estapafúrdios e a gestores ineptos e comprometidos com um modelo de desenvolvimento que não distribui renda, pelo contrário, só aumenta a disparidade econômica no Ceará. As obras de tais governos viram vitrine em campanha eleitoral.

O governo do Ceará não é marketeiro é maqueteiro.

Mas voltemos ao assunto, deixemos os trocadilhos infames, o tipo de turismo feito não só no litoral cearense mas em todo o litoral nordestino tem contribuido para a prostituição, para o afevelamento de comunidades de pescadores, para a privatização de nossas praias. Estão se abancando, como dizemos aqui na terra de Raquel, chegaram pedindo água e agora são os donos do pote.

Boa parte do litoral está completamente sem identidade, sem raiz. Fake. Vendido, prostituído. E prostituição não é só do corpo.

O turismo predatório atingiu em cheio a nossa costa. De uma ponta outra.  Nossa fabulosa beleza atraiu olhos gananciosos que – sob as benesses do governo – se instalaram e comeram nossas praias. Comeram no sentido sexual, também.

Pra usar uma linguagem mais política, para não dizerem que só falo de sexo:

Os colonizadores voltaram ao Brasil e o ouro agora é  nossa natureza, nosso mar.  A arma agora é o euro.  Quase todo o litoral cearense está tomado ou está em vias de ser tomado por essa industria do turismo. Sem xenofobia, pois que dinheiro não tem pátria, os estrangeiros nos tragaram. Eles tem feito da nossa terra, um quintal para deleite dos ricos de seus países e de nós as suas mucamas. Quem antes tinha sua terra para plantar e o mar para pescar, hoje são serviçais. Quando muito.

Aqui no Ceará várias comunidades litorâneas sofrem pelo turismo predatório cuja base é a especulação imobiliária, as empreiteiras e os agentes do turismo sexual. Sucessivos governos investem em vultosas verbas nesse modelo que só favorece a industria do turismo.

A concepção Tasso-Cidista de desenvolvimento no Ceará baseado na industrialização se mostrou fracassada e só melhorou a vida de grandes empresários de todos os ramos da economia cearense, na industria do turismo só favoreceu empresários da construção civil, dos resorts, dos especuladores imobiliários, dos investidores estrangeiros, enquanto o número de miseráveis só aumentou. O Ceará é um dos estados campeoes em disparidade social. Uma das economia mais concentradoras do planeta. Podem colocar na conta dos modernos gestores e seu fabuloso modelo de desenvolvimento econômico. Modernidade pra eles é isso. Mostrar índice de extrema pobreza é coisa de gente retrógrada.

O governo ao ofertar beneficios para que esses grandes resorts se instalem é feito aqueles pais escrotos que entregam suas filhas pros machos estrangeiros por uns trocados, muito comum no nosso estado.

Não vejo diferença entre a prostituição de Canoa e a prostituição que o governo fez e faz com nosso estado.

E para provar a letal aliança entre política e economia, há outros modelos de turismo exitosos no mundo e até aqui no Ceará que é referência internacional em turismo comunitário. Mas não há investimento porque estes não financiam campanha, esse tipo de turismo não é ‘montado no cimento’. isso não vira ícone de marketeiro nas eleições. Sem falar da potencialidade do turismo rural, da serra, do sertão, que são totalmente ignorados pelo turismo cafetão.

Indo à raiz, a conclusao a que chego sobre o acquario é a de que a obra é um completo desvario de um gestor de mente colonizada que ao se propor moderno revela todo o seu provincianismo e total desconhecimento do que é tendência hoje em termos de turismo.

Turista nenhum quer vir aqui pra se sentir em las vegas, miami. Turista de verdade que vem aqui quer ver é nossa cultura, nossa natureza. Quer ver o que somos, quer ter relação de troca, nao quer nos usurpar. Não nivelemos o turista que queremos pelo poder aquisitivo, não tem nada mais cafona, governador.

O chique é ser simples. O chique é o turismo aliado com cultura, com história. O chique é preparar a cidade primeiro para os que nela moram. O chique é mostrar para os que nos visitam uma cidade limpa, arborizada, com patrimonios e equipamentos culturais bem cuidados. É ter uma cidade segura. É aumentar o índice de escolaridade é aniquilar o analfabetismo. O chique é ter um povo feliz, saudável. O chique é ter uma cidade mais que bela, justa.

E digaí que esse tipo de turismo que é tendẽncia mundial gera uma economia estupenda! Só que mais distribuida.

Existem quase trezentos acquarios espalhados pelo mundo, mas só existe um Ceará. Isso não é só bairrismo é marketing.

Não é só acquario é a falta de política de turismo responsável, justo. É de  como o Ceará está sendo prostituido e o cafetão é o governo.

E pode me chamar de radical. Ser radical é ir à raiz.

 

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